"Um dia, o Buda estava em uma caverna, onde estava fresco. Ananda, seu assistente, estava praticando meditação caminhando perto da caverna, tentando interceptar as muitas pessoas que sempre vinham visitar o Buda, de forma que ele não recebesse convidados o dia todo. Neste dia, enquanto Ananda estava praticando, viu alguém se aproximando. Quando a pessoa chegou perto, Ananda reconheceu Mara.
Mara tentou
o Buda na noite antes dele se tornar iluminado. Mara disse ao Buda que ele
poderia se tornar um homem de grande poder – um político, um rei, um
presidente, um ministro ou um bem sucedido homem de negócios com dinheiro e
lindas mulheres – se ele desistisse de sua prática de plena consciência. Mara
tentou duramente convencer o Buda, mas não funcionou.
Embora Ananda
tenha se sentido desconfortável ao ver Mara, Mara já o tinha visto, portanto
não poderia se esconder. Eles se cumprimentaram.
Mara disse:
“Eu quero ver o Buda.”
Quando o
líder de uma corporação não quer ver alguém, ele pede para sua secretária
dizer: “Desculpe, ele agora está em uma conferência.” Embora Ananda quisesse
dizer algo assim, sabia que estaria mentindo e ele queria praticar o Quarto
Treinamento - não mentir. Portanto ele decidiu dizer o que estava em seu
coração para Mara.
“Mara,
porque o Buda deveria vê-lo? Qual o motivo? Você não lembra que foi derrotado
pelo Buda sob a árvore de Bodhi? Como você ousa vê-lo de novo? Não tem
vergonha? Porque ele deveria vê-lo? Você é seu inimigo.”
Mara não foi
desencorajado pelas palavras do Venerável Ananda. Ele apenas riu enquanto ouvia
ao jovem. Quando Ananda terminou, Mara riu e perguntou: “Realmente seu
professor diz que tem inimigos?”
Isto fez
Ananda ficar muito desconfortável. Não parecia correto dizer que o Buda tinha
inimigos, mas ele disse! O Buda nunca disse que tinha inimigos. Se você não
está concentrando muito profundamente ou plenamente consciente, pode dizer
coisas que são contrárias ao que você sabe e pratica. Ananda estava confuso.
Ele entrou na caverna e anunciou Mara, esperando que seu professor dissesse,
“Diga a ele que não estou em casa!” ou “Diga a ele que estou em uma
conferência.”
Para
surpresa de Ananda, o Buda sorriu e disse: “Mara! Peça a ele para entrar!”
Ananda
estava perplexo pela resposta do Buda. Mas ele fez o que o Buda disse e convidou
Mara para entrar. E você sabe o que o Buda fez? Ele abraçou Mara! Ananda não
podia entender isso. Então o Buda convidou Mara para sentar no melhor lugar da
caverna e virando-se para seu amado discípulo disse: “Ananda, você poderia ir e
nos preparar um chá de ervas?”
Como você
deve ter adivinhado, Ananda não estava muito feliz com isso. Fazer chá para o
Buda era uma coisa – ele poderia fazer milhares de vezes ao dia – mas fazer chá
para Mara não era algo que ele queria fazer. Mas como foi o Buda que pediu, ele
não poderia recusar.
Buda olhou
amavelmente para Mara. “Querido amigo”, ele disse, “como tem passado? Está tudo
bem?”
Mara
respondeu: “Não, as coisas não vão bem, elas vão mal. Estou muito cansado de
ser Mara. Quero ser outra pessoa, alguém como você. Onde quer que você vá é
bem-vindo e as pessoas te reverenciam. Você tem muitos monges e monjas com
faces amáveis te seguindo e te oferecem bananas, laranjas e kiwis.”
“Onde quer
que eu vá”, Mara continuou, “tenho que vestir a persona de um demônio – tenho
que falar de uma maneira convincente e manter um exército de pequenos demônios
maliciosos. Cada vez que expiro, tenho que respirar fumaça do meu nariz! Mas eu
não ligo muito para essas coisas; o que me aborrece bastante é que meus
discípulos, os pequenos Maras, começaram a falar sobre transformação e cura.
Quando eles falam sobre liberação e budeidade, não posso suportar. É por isso
que eu vim para te pedir se podemos trocar os papéis. Você pode ser Mara e eu
serei Buda.
Quando o
Venerável Ananda ouviu, ficou tão aterrorizado que pensou que seu coração
poderia parar. Como ficaria se o Buda decidisse trocar papéis? Então Ananda
seria o assistente de Mara! Ananda esperou que o Buda recusasse.
O Buda
calmamente olhou para Mara e sorriu. “Você acha que é fácil ser um Buda?” Ele
perguntou. “Pessoas estão sempre me entendendo mal, colocando palavras na minha
boca. Eles constroem templos com estátuas minhas feitas de cobre, gesso, ouro e
até mesmo esmeraldas. Grandes multidões me oferecem bananas, laranjas, doces e
outras coisas. Às vezes sou carregado em procissão, sentando como um bêbado em
cima de flores. Eu não gosto de ser esse tipo de Buda. Muitas coisas danosas
foram feitas em meu nome. Portanto, você pode ver que ser um Buda é também
muito difícil. Ser um professor e ajudar a prática das pessoas não é uma
profissão fácil. Na verdade, eu não penso que você gostaria muito de ser um
Buda. É melhor se ambos continuarmos a fazer o que estamos fazendo e tentar
fazer o nosso melhor.
Se você
estivesse lá com Ananda, e se estivesse plenamente consciente, poderia ter
sentido que Buda e Mara eram amigos. Eles se complementam como dia e noite,
flor e lixo vindo juntos. Este é um profundo ensinamento do Buda.
Agora você
tem uma ideia de que tipo de relação existe entre Buda e Mara. Buda é como a
flor, muito fresca e bonita. Mara é como o lixo – fedorento, coberto de moscas
e desagradável de tocar. Mara não é de forma nenhuma agradável, mas se você
sabe como transformar Mara, Mara se tornará o Buda. E se você não souber como
tomar conta do Buda, ele se tornará Mara.”
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